Cartilha Antipirataria

Clique aqui, para ter acesso ao conteúdo da Cartilha Antipirataria lançada pela CBDL em setembro do ano passado. Com texto simples e objetivo, a cartilha responde o que é, e como reconhecer um produto pirata. Além disso, informa sobre as consequências para quem pratica estes atos e o que fazer para denunciá-los.

 

 

Epidemia de febre amarela de 2007/2008 foi “transmitida” pela imprensa

O risco de uma epidemia de febre amarela no país no verão de 2007/2008 realmente existiu? Para a jornalista Cláudia Malinvernin, não. O que de fato aconteceu foi o que ela denominou de “epidemia midiática”. Cláudia é autora de uma pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública da USP, na qual demonstra que o discurso das reportagens e artigos publicados na grande imprensa naquele momento foi equivocado. “O país vivia uma epizootia, que caracteriza a manifestação contagiosa da doença em animais, e não uma epidemia”, afirma.

Para sua pesquisa, Cláudia analisou 118 matérias relativas ao assunto veiculadas entre dezembro de 2007 e fevereiro de 2008 no jornal Folha de S.Paulo. Nesses textos, ela pôde observar várias informações imprecisas, como a não identificação do ciclo da doença e de que o mosquito transmissor, na oportunidade, teria sido o Aedes Aegypti. “A febre amarela acontece em dois ciclos: o silvestre, que atinge primariamente animais, sendo os humanos infectados acidentalmente; e o urbano, no qual o homem é o hospedeiro primário”, explica Cláudia.

O jornal Correio Braziliense foi o precursor da “epidemia midiática”, quando repercutiu, em dezembro de 2007, nota técnica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal voltada a profissionais do setor. A notícia informava sobre a morte, em Goiás, região endêmica, de macacos e de um homem em razão da febre amarela. “A partir daí o tema foi ganhando proporções, com outros veículos da imprensa passando a se pautar pelo tema”, afirma a jornalista, consolidando uma situação onde o discurso construiu uma realidade.

Começou então uma sucessão de equívocos. Cláudia mostra em sua pesquisa que especialistas em saúde pública contrários à tese de epidemia tiveram espaço menor na cobertura em comparação com os que defendiam o risco epidêmico.  As notícias sobre a possível epidemia, aponta a pesquisa, ganharam capas sucessivas nas edições da Folha de S. Paulo, além de o tema ter sido objeto da análise de colunistas e comentaristas políticos. A pesquisadora também afirma que, ao longo da cobertura, o jornal publicou apenas um artigo de um especialista em saúde.

O aumento brusco e exponencial pela vacina que protege contra a febre amarela naquele momento é atribuído pela jornalista à epidemia midiática. De acordo com dados do Ministério da Saúde o Brasil distribui, em média, entre 15 e 16 milhões de doses da vacina ao longo de 12 meses. Somente naquele período (verão 2007/2008), ao longo de 40 dias, o governo distribuiu mais de 13 milhões de doses. “Um dos três produtores mundiais da vacina credenciados pela OMS, o Brasil chegou a suspender a exportação do imunobiológico”, recorda Cláudia.

A consequência mais grave no aumento da vacinação foi, porém, a expansão na ocorrência, em 2008, de reações adversas à vacina. Em oito casos das reações mais graves, houve seis mortes, três delas em razão da doença viscerotrópica, a mais grave delas. (Com informações da Agência USP de Notícias – 13.02.12)